06/02/2012

Entrevista: Surdos Por Um Dia

Gente bonita, segue, abaixo, a entrevista que prestamos para a revista Audibel ECOS. Saiu na edição 17. Bem resumido em contraste com aquilo que  comentamos. Porém, tá valendo!

Aquele abraço!






17/01/2012

Preconceito contra Negros Surdos


Sandro é negro e Surdo. Mas não é só. Cristão. Gente que comunica e que pensa, leva e recebe a informação, estudante do último ano de Direito.

Ele relata siituações de preconceito e coloca a necessidade do respeito mútuo para uma boa convivencia humana. Com sua popularidade e muita luta travada tem anseios de sobra pelo ideal da inclusão dos negros Surdos dentro do seio social.

Parabens Sandro. A sua luta também é nossa!

15/10/2010

XVI - Ser Surdo no Cotidiano

Arte da super Carol. Ela é Surda no Cotidiano, estudante de Letras Libras pela UFSC, polo Unicamp.

Desenvolve artesanatos para Surdos e c&a, como chaveiros e letreiros. Veja detalhes em seu blog: http://carolearteslibras.blogspot.com/

Contato da Carol: carolbonfim_hello@hotmail.com

Segue vídeo na Libras.

Aquele abraço!


09/10/2010

Mudanças no Design




Pessoas queridas,

Aviso-lhes que o blog passou por mudança apenas no design. O conteúdo continua intacto.

Cordialmente.

XV - Ser Surdo no Cotidiano



Apresento abaixo, o depoimento de Diogo Madeira, Surdo, gaucho, jornalista e estudante de Letras-Libras. Grande amigo e, não para menos, sujeito de sua história.

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A escuridão: Bloqueio à minha visão


A ausência da audição, por incrível que pareça, não impede o surdo de atingir suas metas, pois tem a sua arma: a visão, com isso pode ver algo de longe ou perto, ou melhor, independente do distanciamento. Vou falar da minha vida acadêmica, ingressei na faculdade de jornalismo atendendo à minha paixão pela leitura. Durante a trajetória acadêmica, aconteceram muitas coisas na minha vida – uma delas foi que escolhi o curso certo para progredir o meu olhar lingüístico. A partir daquele momento passei a aprender a ser Diogo, ou seja, ser si mesmo. Porque o a ser eu tem suas características, conforme Hall falou da questão de identidade, o sujeito que constroi sua identidade por meio dos contextos familiar e histórico.

No segundo semestre, eu fazia a disciplina de fotografia. Houve um fato curioso: quando eu estava no laboratório de fotografia assistindo às instruções do meu professor sobre como revelar as fotos por intermédio da minha intérprete de Libras. No entanto, o próprio professor apagou a luz e fiquei perdido na escuridão: não pude assistir à prática de revelar fotos no meio da escuridão. A escuridão sempre foi um problema para nós especialmente surdos. Leitura labial? Impossível! Comunicação tátil? Não o suficiente por falta de conhecimento disso. Mas é normal que haja limitação a qualquer ser humano. Cito o exemplo do Superman, ele é alérgico à kriptoniana e sempre que fugir caso o meteoro misterioso esteja ao redor dele. Posso afirmar que foi um fato bem curioso para quem aprecia saber do meu dia a dia acadêmico.

Contato do Diogo: madeira.azrael@hotmail.com


 

06/10/2010

Dia dos Surdos II

O fato ocorrido comigo no Centro de Formação de Condutores retrata um pouco de como a sociedade excludente ver o Surdo: Como uma pessoa que tem uma língua adversa e inaceitável por parte daquele que ouve. Não se pensa no Surdo como usuário da Lingua Brasileira de Sinais e que por ser brasileiro a sociedade brasileira deva aprender essa língua, ou no mínimo, disponibilizar o intérprete da Libras em seu seio social.

O fato mostra que grande maioria do povo brasileiro ainda nos ver como usuário de uma lingua incabível e deficiente, devendo o Surdo se adaptar às condições adversas daquele que pode ouvir e falar. Se fôssemos reconhecidos como povo Surdo que se expresa e que tem uma língua própria e cultural, a Lingua Brasileira de Sinais - Libras, provavelmente aquele fato não teria ocorrido comigo. Seria uma certeza a contratação do interprete pela própria instituição e não haveria aquele teatro indizivel de eu precisar pagar a aula substituta, sendo que nessa aula a interprete não poderia comparecer e inclusive que o professor considerou minha presença com o atraso de apenas cinco minutos.

Vale diagnosticar alguns aspectos: Fala do professor, fala da interprete, fala das recepcionistas e fala do Surdo.

Fala das recepcionistas: - Você é Surda mas nada podemos fazer. Você precisa repor a aula, pagar por essa aula por causa dos cinco minutos que atrasou, mesmo se nessa aula não haverá interprete. E depois capturar a digital pelo Detran. Você não tem previlégios frente aos demais alunos.

Fala da interprete: - Vai com calma, não precisa discutir, não cria maiores obstáculos, e se for preciso pagar, pague e é melhor evitar conflitos. A vida é assim mesmo, infelizmente.

Fala do professor:  - Eu entendo que você não consiga acompanhar a aula sem a interprete, então como você participou daquela aula com a interprete e se atrasou cinco minutos, de minha parte é desnecessário repor a aula, só venha capturar a digital. Quanto a pagar por essa aula substituta essa é uma regra da instituição e nada posso fazer.

Fala do Surdo: - Eu "entendi" que deva pagar para repor essa aula que não terei acesso de alguma forma. Tudo bem, sigo os procedimentos indicados por vocês, mas não vou ficar quieta, vou buscar meus direitos diante esses fatos.

Fala do professor: - Infelizmente é a regra, mas você sinta-se livre para buscar seus direitos, você está certa.

Fala da intérprete: - É melhor não envolver o nome da instituição em problemas maiores.

Fala da recepcionista: - Então, vamos conversar com a administradora e ver o que podemos fazer.

O anseio do povo Surdo é para que não calem nossos direitos. Somos um povo que faz uso da Lingua Brasileira de Sinais - Libras. Devemos ser reconhecidos não pela surdez mas por sermos usuários de uma língua complexa e fundamentada.

Se você tiver Surdos em sua família, estimule-os na busca de seus direitos. Não queira fazer uma cena bonita e menos trabalhosa e por isso mesmo, desvalorizar o cidadão que precisamos ser.

Se for interprete, você acompanha os Surdos e sua realidade diária. Você ver. Não cale nossa voz, não minimize as situações idealizando fazer certo e bonito ou na pior das hipóteses, não chegue a uma conclusão sobre um fato sem levar em consideração o que o Surdo, de uma situação, pensa a respeito ou tem a dizer. Lembra-se que fomos por muito tempo, historicamente, controlados por aqueles que ouvem e por seus ideiais. Queremos ser considerados gente e fazermos nossas proprias escolhas sociais, nossa história e nossa política. Então seja o intérprete que não pensa só, mas pensa e luta consoco. Seja o intérprete ético, aquele que favorece nossa inclusão social.

Se for Surdo como eu, não deixe jamais de ser gente, se a situação exigir. Seja gente, exija respeito pela sua lingua, busque seus direitos. Observe a lei, o que consta e o que não consta. Ajude outros Surdos na busca de seus direitos e acima de tudo seja você e não o que pediram para que você fosse.

Seja Surdo em seu dia-a-dia, não permita que te modelem como uma pessoa que ouve. Lute aí no seu cotidiano, na sua escola, na sua família, na sua igreja, ali no cinema ou na loja que não te atendeu muito bem. E se você faz parte de uma associação de Surdos vamos lutar pela legenda nacional nas TVs, insenção de IPI para Surdos, escolas de pessoas Surdas, inserção de interprete em toda dimensão social.

Feliz dia do Surdo pra você Surdo que enfrenta dificuldade, e que vence cada momento na alegria e na dor. Temos uma grande luta no seio social. Mas certeza, toda luta nos faz crescer ainda mais na fé, no amor e na união.

Que Jesus Cristo nos conceda a paz. Feliz dia!

05/10/2010

Balada Vibração da Alma Vai ao Ar


Amigos, segundo site da Globo, a balada Vibração da Alma irá ao ar hoje, numa série de reportagem sobre os deficientes físicos.

Veja sites: http://g1.globo.com/profissao-reporter/


 http://televisao.uol.com.br/ultimas-noticias/2010/10/05/em-ti-ti-ti-bruna-sofre-ao-saber-que-marcela-nao-esta-gravida-de-osmar.jhtm

Se liga: Hoje, às 23h35 no Profissão Reporter, Rede Globo.

Aquele abraço!

26/09/2010

Dia do Surdo

Depois de não encontrar uma auto-escola que atendesse o Surdo em sua dimensão linguistica, enfim, ingressei numa da zona sul de São Paulo. A mesma não disponibilizava o intérprete da Libras no percursso: Exame Médico e Psicotecnico; Centro de Formação de Condutores e Aulas de Volante.

Bem optei pela referida por motivos isolados além de que indicase-me estar adaptada no que se refere a formação de condutores Surdos e Deficientes. Diferente da outra auto-escola, a Javarotti, nessa a atendente sempre usava caneta e papel para se comunicar comigo e pude perceber que eles tinham um pouco da experiência visual no atendimento ao Surdo.

Depois de alguns processos, lá estava eu, em mais um Ser Surdo no Cotidiano, ou mais precisamente,
no Centro de Formação de Condutores - CFC - Educatran. Seriam 9 e longos dias junto com aquela
equipe. O professor chegara. Bastante dinâmico em suas aulas, pude perceber que explicava as coisas com elevada estratégia.

Bem, não havia intérpprete da Libras. Eu estava bem ali, e percebia apenas que o professor fazia arte com suas explicações. Depois de alguns momentos degustados fui até a recepção, e deixei a sala de aula com o show por lá. Solicitei a recepcionista permissão para ir embora. Nâo fazia sentido eu estar ali sem ouvir nada e só captando 10% do estava sendo falado. Veio a explicação mais fervorosa: Precisava fazer presença todos os dias por causa da digital capturada pelo Detran. Uma forma de controle das aulas presenciais do CFC pelo Detran. E foram lamentavelmente pedir ao professor que falasse de frente pra mim, e enfatizar que eu era Surda.

Vontade de sair correndo dali, meu amigo. Pronto, me senti em uma cena de alguma historinha! Não fiquei olhando pra boca do professor! Isso cansa, e não produz o resultado esperado: A comunicação. Busquei ler a apostila, único recurso visual que eu dispunha. Vez ou outra percebia a aula animada que rolava, alunos rindo, alunos interagindo, videos sem legenda, professor com elevada expressão facial (por exemplo, simulando o olhar de um homem sobre uma mulher e logo em seguida um acidente de carro). De vez em quando, eu tirava os olhos da apostila e ele me perguntava se estava compreendendo. Levantava o dedo polegar e fazia expressão negativa para contradizer a resposta. A minha vontade era ir embora dali, sair de toda aquela cena ao vivo. Porque não me sentia gente, gente que se comunica, pergunta e entende o que se passa em sua volta. Excluida, não havia razão de estar ali, ok?

Fiquei dois dias, num verdadeiro cárcere para minha situação. Tinha que apreciar ver alunos que interagiam, que entendiam o professor e se pronunciavam, alunos que teriam seu aprendizado baseado no que ouvira do professor, alunos motivados e que, portanto, participavam das aulas. Enquanto eu tinha que conviver no anseio pela comunicação mínima, teria que me virar pra estudar em cima da leitura e não com enfase na comunicação aluno x professor, tinha que pagar por uma aula que não teria como aproveitar. E inclusive, com o tempo vago entre eu e aquela turma, tinha que refletir e concluir o tempo todo como a sociedade é excludente e no minimo desinteressada.

Arquei com uma interprete particular. Sério? Sério! Uma grande amiga, que estava disposta a marcar presença nos sete dias restantes do curso. Chegamos cinco minutos atrasadas nesse primeiro momento, e fomos barradas para entrar na sala de aula. Mais um outro dia de festa! Duas recepcionistas muito séria, expressão de mulher más alegaram o tempo todo que não dava para permitir minha entrada na aula, que os cinco minutos de atrasos era inadmissivel por parte do Detran, que o CFC era controlado pelo Detran com as digitais que deveriam serem capturadas, que eu não tinha previlégios frente a outros alunos, enfim...

Depois lembrei à interprete, que estava ali comigo, que aquilo era uma burocracia e que nas aulas anteriores, haviamos sidos dispensados mais cedo e sem digital capturada. As mulheres "más" foram falar com o professor, que disse-nas que como estava acompanhada da intérpprete que eu poderia participar da aula e depois sim teria que repor a aula e compensar a digital. Tudo bem, eu e a interprete entramos em sala
de aula. Olhares curiosos rolou dali até o último dia de aula. Gente que nos olhavamos da cabeça aos pés. Pude perceber gente com interesse na Libras, com desinteresse e preconceito com a Libras, gente que menosprezava as necessidades da interprete por espaço físico maior para interpretação, e muita mas muita pouca gente que mostrava no olhar o desejo de conhecer e ser um diferencial na sociedade.

Durante os sete dias corridos descobri que o professor era um bombeiro, que complementava a aula com a
linguagem própria de jovens e seus assuntos, como mulheres versus homens, sogra x genro, namoro no carro x acidente, lindas mulheres na calçada x homens no carro x acidentes, mulheres na moto x acidente x bombeiros, acidentes x corintianos, sábado x corinthians x mulheres e diversos outros tópicos que aqui vou me limitar a dizer. E ligava tudo isso aos assuntos didáticos.

Mas os sete dias se passaram. Eu tinha que repor uma aula por causa daqueles cinco minutos de atrasos lembram-se? A caminho da recepção a interprete me alegou que eu não precisaria discutir por causa da aula, que tudo daria certo, que eu só viria para capturar a digital e depois ir embora, que não precisaria assistir a aula. Outra festa, logo após aquele instante, quando me deparo na recepção: Eu tinha que pagar por essa aula, segundo as mulheres "más". Tinha porque tinha que pagar, tinha que vir, capturar a digital e o fato de eu ser surda nada significava ali, que o Detran estava no comando.

O professor ainda tentou se explicar, e acredito eu que fez o papel de um dos dos anões da Branca de Neve. Foi tudo em vão. As mulheres "más" eram más e eu tinha que aceitar o "azar o meu", tinha que pagar por uma aula que não teria acesso. Detalhes: A interprete não poderia vir na aula substituta.

Bem, fui franca ao dizer que viria normalmente, que marcaria a digital e até pagaria por uma aula que não teria acesso, mas que iria buscar meus direitos fora dali, nem que fosse na floresta das histórias de conto de fadas, e que não achava certa a solução abordada pelo CFC.

O "anão" de quem falei a pouco, foi enfático ao me dizer que eu poderia fazer o que quisesse, que eu estava certa em buscar meus direitos e que infelizmente esse era o procedimento daquela instituição. A mulher "má", nesse instante, resolveu ser mais branda com a "Branca de Neve", e disse que iria conversar com a administradora dali e ver o que poderia ser feito.

Conclusão: Até que em conto de fadas tem final feliz: Branca de Neve Surda, da história, foi insenta da burocracia. Capturaram sua digital e ainda entregaram o certificado no dia seguinte, sendo que para os outros alunos a entrega seria dali a uma semana.

Esse é só mais um cotidiano na minha história e  pode ser um cotidiano rotineiro na vida de qualquer um dos meus pares Surdos.

Continua no poste Dia do Surdo II.